Archive for 13 de dezembro de 2012

Comunhão legítima e sincera

Em Filemon vemos a trama da vida de um escravo, Onésimo, que fugiu do seu senhor Filemon, e caiu em uma prisão junto com o apóstolo Paulo, deflagrando um encontro com Cristo (Fm 10). Dessa história, destacam-se as seguintes lições, por intermédio da vida do apóstolo Paulo:

  • A humildade engrandece enquanto a soberba diminui (Fm 1). Paulo não se apresenta como apóstolo ao interceder por um escravo, mas como prisioneiro de Cristo, se colocando no mesmo nível dele (Pv 18:12). Jesus prezou por essa característica, a humildade, pois esta tanto revelava sua personalidade (Jo 13:14, 15) quanto o conteúdo do seu ensino (Mt 11:29).
  • Não se deve desperdiçar a oportunidade de elogiar sinceramente as pessoas (Fm 4, 5). Paulo agradece a Deus e engrandece a Filemon em oração pelo relacionamento deste com Jesus e com os irmãos (Fm 7). Somos muito rápidos em criticar (Pv 12:18). O caminho da depreciação parece ser bem mais fácil para as pessoas, devido à natureza caída e predisposição interior ao mal que todos têm. Difícil é ser encorajador tendo como ponto de vista as qualidades e não os defeitos (Pv 16:24).
  • Somos embaixadores da paz, logo, chamados para pacificar (Fm 16, 17). Paulo foi um intercessor, mediador e pacificador entre o escravo e seu senhor (Rm 12:18). Construiu pontes em vez de muralhas ou abismos (Pv 15:1). Seu argumento foi em defesa do recém-convertido, classificando-o não mais como escravo, inimigo ou inútil, mas como irmão, amigo e útil (Fm 11). Ou seja, anulou a barreira utilitarista e trabalhista (escravo-senhor) e teceu a trama familiar (irmãos espirituais).
  • Nosso altruísmo com o próximo é oriundo da experiência e identificação de Cristo conosco (Fm 18, 19). Paulo foi tão empático com Onésimo que redimiu sua dívida (pagou a conta), justificou seu pecado, dignificou-o reconciliando-se com um desqualificado escravo marginalizado por um estigma de traidor, libertou-o da condição hereditária do pecado (por intermédio de Cristo), ministrou o perdão de Deus, incluiu-o novamente no convívio dos seus, nivelou-o à ética do Reino por meio de seu exemplo, demonstrou profunda compaixão com atitudes práticas. Em síntese, explicitou Jesus por meio da experiência de regeneração contida no Evangelho. Percebe-se que as ações de Paulo são iguais às de Cristo por nós. Esse é um cristianismo atuante de um cristão que faz identificação com os que ainda não conhecem a Deus (1 Co 9:20-23). Foi exatamente por isso que Jesus se manifestou ao mundo: Para nos revelar o Pai por meio de suas palavras, pensamentos e ações, fazendo-Se o caminho de acesso até Ele (Jo 14:6).

Tudo isso só foi possível pela transformação de Jesus no coração de Onésimo, e consequentemente, no de Filemon em relação ao ex-escravo. Um relacionamento só pode ser renovado neste nível se Cristo reinar nos corações (Mt 5:8). Isso se dá por causa do poder da palavra de Deus (Hb 4:12) e pelo convencimento do Espírito Santo (Hb 3:15).

Vivamos, então, em conversões constantes dos corações daqueles que nos cercam com a finalidade de atraí-los para uma comunhão legítima e sincera (Fp 2:2).

Fonte: Igreja Batista Ágape – “Uma análise da carta de Filemon