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Tentação, pecado, arrependimento e perdão

1) Davi peca novamente ao numerar Israel (2 Sm 24:1-13)

O censo de Davi trouxe um desastre porque, de um modo diferente do censo feito no livro de Números (Nm 1 e 2), que havia sido ordenado por Deus, este foi feito para que Davi pudesse se orgulhar da força de seu exército. Ao determinar sua força militar, passou a confiar mais no poderio militar do que em Deus.

Há uma tênue linha divisória entre sentir-se seguro por confiar no poder de Deus e se tornar orgulhoso por ter sido usado por Deus para grandes propósitos.

2) A tentação de Satanás não justifica o ato pecaminoso de Davi (2 Sm 21:1)

O texto bíblico diz que Satanás incitou Davi a levantar o censo de Israel. Satanás pode forçar as pessoas a errar? Não. Satanás apenas tentou Davi com a ideia, mas o rei decidiu agir de acordo com a tentação. Desde o jardim do Éden, Satanás tem tentado as pessoas. O censo de Davi não era contrário à lei de Deus, mas sua motivação estava errada – o orgulho por seu poderoso exército. Esquece-se de que sua verdadeira força vinha de Deus. Até mesmo Joabe, que jamais foi conhecido por elevados ideais morais, reconheceu que este censo seria um pecado.

A partir do exemplo de Davi, aprendemos que uma ação, que pode não estar propriamente errada, pode se tornar pecaminosa se for motivada pela cobiça, pela arrogância ou pelo egoísmo. Frequentemente, nossos motivos, não a ação em si, contêm pecado. Devemos pesar constantemente nossos motivos antes de agirmos.

3) Davi se arrepende e pede perdão. É perdoado, mas sofre as consequências de seus atos (2 Sm 24:8-14)

Quando Davi conscientizou-se de seu pecado, assumiu total responsabilidade, admitiu que estava errado e pediu que Deus o perdoasse.

Muitas pessoas querem acrescentar Deus e os benefícios do cristianismo em suas vidas sem reconhecer seus pecados e culpas pessoais. A confissão e o arrependimento, porém, devem vir antes de se receber o perdão. Como Davi, devemos assumir total responsabilidade por nossas ações e confessá-las a Deus antes. Depois podemos esperar que Ele nos perdoe e continue a operar em nós.

O post de hoje é uma adaptação de: Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

Rebelde sem causa

Seba é o rebelde da vez. Indignado porque todas as tribos recebiam novamente Davi como rei, ele tocou a trombeta e gritou: “Não temos parte alguma com Davi, nenhuma herança com o filho de Jessé! Para casa todos, ó Israel!” Então todos os de Israel abandonaram Davi para seguir Seba, filho de Bicri. Mas os de Judá permaneceram com seu rei e o acompanharam desde o Jordão até Jerusalém.
(2 Sm 20:1-2)

Israel era um único povo, mas não agia como tal. Cada tribo queria para si mérito de ser a líder das demais. Se esqueciam de que o único e verdadeiro líder seria sempre o mesmo, o soberano Deus.

Não sejamos rebeldes como as tribos de Israel. A rebeldia apenas nos afasta uns dos outros e de Deus.

Arrependimento e perdão

Simei era o líder benjamita que havia agredido Davi com palavras e pedras quando o rei  fugia de Jerusalém para evitar o confronto com seu filho Absalão (clique aqui e leia mais sobre a ocasião).

Algum tempo se passou, Absalão foi morto e Davi se preparava para voltar a Jerusalém. Nesta ocasião, Simei foi mais uma vez ao encontro de Davi, mas agora, em vez da atitude agressiva, levou consigo arrependimento e solidariedade. Simei e seus homens foram dos primeiros a chegar até onde estava o acampamento de Davi e  ajudaram a família real na travessia do Jordão (2 Sm 19:17-18). E Simei, prostrado diante do rei, lhe disse: Que o meu senhor não leve em conta o meu crime. E que não te lembres do mal que o teu servo cometeu no dia em que o rei, meu senhor, saiu de Jerusalém. Que o rei não pense mais nisso! Eu, teu servo, reconheço que pequei. Por isso, de toda a tribo de José, fui o primeiro a vir ao encontro do rei, meu senhor (2 Sm 19:19-20).

Os conselheiros e soldados de Davi ainda amargavam a atitude agressiva e desrespeitosa de Simei, mas o próprio rei, alvo de todas as maldições proferidas e pedras atingidas, foi capaz de perdoar. O rei prometeu a Simei, sob juramento: “Você não será morto” (2 Sm 19:23).

Davi tinha poder para exercer vingança. Ele estava de volta ao trono e bastaria uma palavra para que Simei fosse morto. Mas o rei preferiu exercer o perdão. E para isso nenhum poder é necessário, basta ter o coração aberto para acreditar que o arrependimento existe e lembrar que nós todos estamos sujeitos a errar e se arrepender.

Com menos vingança e mais perdão, o mundo seria bem melhor, não acha?

Amor de pai

O confronto com Absalão era inevitável, mas Davi foi convencido por seus conselheiros a não se dirigir ao campo de batalha. Ele, então, permaneceu no acampamento, mas antes de despedir os soldados, deu-lhes uma importante recomendação: Por amor a mim, tratem bem o jovem Absalão! (2 Sm 18:5)

Absalão queria a morte de seu pai, assim, herdaria o trono, teria poder e bens. Por outro lado, Davi queria o bem do filho, ainda que suas atitudes não fossem dignas de aprovação.

Davi era rei, forte, poderoso, homem de muitas guerras, soldado valente… Mas quando seu filho se tornou seu principal inimigo, sua valentia foi ofuscada por sentimentos paternos: amor, compaixão, compreensão…

Absalão acabou morto, e Davi lamentou profundamente (2 Sm 18:14-15, 33).

Davi é um dos grandes exemplos da bíblia para muitas situações. Aqui, o rei fica despido de sua majestade e dá lugar ao pai aflito, desejoso de que o filho seja poupado das consequências de seus atos inconsequentes.

Deus nos ama como pai amoroso. Ele deseja nos ver escolher bons caminhos e quando erramos, fica ansioso por nos ver reconsiderar nossos atos. Não sejamos filhos ingratos. Que nosso Pai tenha orgulho de nós e que Seu amor infinito seja retribuído por nós em nossas ações, dia após dia.

Retribuir o mal com o bem

O rei Davi fugia de Jerusalém para evitar o confronto com seu filho Absalão, que tentava tomar o trono. No caminho um homem do clã da família de Saul chamado Simei, filho de Gera, saiu da cidade proferindo maldições contra eleEle atirava pedras em Davi e em todos os conselheiros do rei (2 Sm 16:5-6). Faziam parte do comboio do rei todo o exército e a guarda de elite de Davi, que ficaram inconformados com as ofensas de Simei e pediram permissão a Davi para matá-lo (2 Sm 16:9).

Davi não só não permitiu que Simei fosse morto, como ainda justificou as palavras agressivas daquele homem: “Ele me amaldiçoa porque o Senhor lhe disse que amaldiçoasse Davi. Portanto, quem poderá questioná-lo? Talvez o Senhor considere a minha aflição e me retribua com o bem a maldição que hoje recebo” (2 Sm 16:10, 12)

Que vantagem temos e retribuir o mal com mal? Pretendemos irritar o outro, mas na verdade nós mesmos é que somos destruídos quando remoemos o ódio e alimentamos a vingança. É muito melhor fazer como Davi, esquecer as ofensas e viver em paz.

Fácil? De jeito nenhum. Mas por meio de atitudes agressivas não refletimos Jesus para o mundo e nos afastamos aos poucos de Deus.

A mansidão é algo que deve ser exercitado com frequência e regularidade e aos poucos conseguiremos nos aproximar da personalidade serena que Davi demonstrou nesta ocasião.

Disse Jesus:
Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso. (Lc 6:35-36)

Sentimentos incontroláveis

Amnom estava apaixonado por Tamar, irmã de meu irmão Absalão. Ele ficou angustiado por causa de sua meio-irmã a ponto de adoecer, pois parecia-lhe impossível aproximar-se dela. (2 Sm 13:2, 4)

O sentimento incontrolável de Amnom culminou em uma tragédia familiar. Ele acabou violentando a irmã e mais tarde foi assassinado pelo irmão.

Sentimentos incontroláveis não são bom sinal. Quase sempre é o diabo tentando usar nossas muitas fraquezas para nos fazer cometer os mais variados pecados.

Sempre que estiver prestes a agir por impulso pare e reflita. O que irá fazer é correto? Não se deixe dominar pelas emoções. Defina seus atos conscientemente, escolha o caminho de retidão e se aproxime de Deus.

Fidelidade, pecado e perdão

A história narrada no capítulo 12 de 2 Samuel é bastante conhecida.

Davi, Bate-Seba e Urias protagonizam em poucos versículos um história triste. Cobiça, adultério, assassinato… O que Davi fez desagradou o SENHOR (2 Sm 12:27b).

O rei ungido por Deus, conhecido pelos seus grandes feitos, sempre preocupado em obedecer ao SENHOR dos exércitos, chegou de uma vez só ao limite do pecado.

Essa trágica história tem muito a nos ensinar, mas vou destacar dois aspectos:

1- Mesmo o mais fiel dos fiéis estará sujeito ao pecado.

O mal nos cerca, nos ronda, usa nossas fraquezas e está sempre à espreita, preparado para nos conduzir diretamente para um caminho de ruína e destruição. É preciso estar pronto para dizer não. Pronto para seguir em frente sem olhar para trás.

Como? Vigiando e orando.

Vigiar para saber discernir o certo do errado. Uma das boas formas de se fazer isso é estudando a Palavra de Deus.

Orar para manter um relacionamento íntimo com Deus. Só com a força dEle em nós seremos capazes de vencer o mal e nos manter afastados do pecado.

2- Mesmo o pecado mais abominável, aos olhos dos homens pode ser perdoado por Deus.

O amor e misericórdia de Deus são infinitos. Ele está pronto a perdoar. Basta que haja arrependimento de coração.

Você está pronto para ser perdoado? Por que não? Não é preciso esperar estar perfeito para pedir perdão a Deus. Não se engane: Essa espera não terá fim. Sem a presença do soberano SENHOR em nossas vidas, nunca alcançaremos nível algum de perfeição. Só Ele é capaz de nos fortalecer o suficiente para nos manter ‘nos trilhos’. Deus quer perdoar hoje, agora, do jeito que somos. Deixar o arrependimento para amanhã pode ser nossa derrota. Arrependa-se hoje. Peça perdão agora. E desfrute da graça de Deus.

Minha rocha

Tu és a minha lâmpada, ó Senhor!
O Senhor ilumina-me as trevas.
Contigo posso avançar contra uma tropa;
com o meu Deus posso transpor muralhas.

“O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha!
Exaltado seja Deus, a Rocha que me salva!”

(2 Sm 22:29-30, 47)

Um grande homem

O rei Davi foi um grande homem, mas seus feitos não teriam se concretizado se ele não estivesse cercado de outros homens, guerreiros, conselheiros e amigos (2 Sm 23:8-39, 1 Cr 11:10-47).

Um bom líder não se faz sozinho. Não somos reis, mas em nossas vidas às vezes estamos em posição de liderança, seja em nossa casa ou no trabalho, na escola… Nessas ocasiões devemos nos lembrar que sozinhos não alcançaremos o melhor resultado. Precisamos nos cercar de boas pessoas e aprender que trabalhar em equipe, com respeito e consideração com os que nos cercam nos ajudará a ir mais longe.

Agradecer por tudo

Davi desejava construir uma casa para a arca da aliança. Ele não se conformava por viver em um confortável palácio enquanto o próprio Deus, representado pela arca, habitava em uma simples tenda (2 Sm 7:2, 1 Cr 17:1).

Por meio do profeta Natã, Deus avisou Davi que não seria ele o construtor de um templo para a arca, mas sim o seu descendente, um de seus filhos, o faria (2 Sm 12-13, 1 Cr 17:11-12).

Davi poderia ter se entristecido com a notícia, afinal o seu desejo de construir o templo era grande e verdadeiro. Ele poderia ter questionado a decisão de Deus, afinal, porque não poderia construir o templo? Mas o rei Davi não lamentou, não chorou… Sabe o que ele fez? Orou a Deus agradecido por ter escolhido sua família para construir o templo e por ter estabelecido uma aliança com ela para sempre.

Mesmo diante de notícias contrárias à nossa própria vontade, devemos agir como Davi, com gratidão. Lamentar, chorar, espernear não vai ajudar, mas manter um espírito de louvor e adoração, agradecendo por tudo, sempre, trará alegria e serenidade às nossas vidas.

Sempre tenho o SENHOR diante de mim. Com Ele à minha direita, não serei abalado. (Sl 16:8)