Archive for Jeremias

O orgulho do império

No auge de seu poder, o Império Babilônico parecia inabalável. Mas quando a Babilônia acabasse de servir ao propósito de Deus de castigar Judá por seus pecados, seria castigada e esmagada por causa de sua iniquidade (a Babilônia foi destruída em 539 a.C).

O orgulho era o pecado característico da Babilônia. Esse sentimento sobrevêm quando nos sentimos auto-suficientes ou acreditamos que não precisamos de Deus. As nações e as pessoas orgulhosas, no fim, sempre fracassam, porque se recusam a reconhecer a Deus como aquele que tem o poder supremo.

Então tropeçará o soberbo, e cairá, e ninguém haverá que o levante;
e porei fogo nas suas cidades, o qual consumirá todos os seus arredores. 

(Jr 50:32)

Livrar-se do orgulho não é fácil, mas se pudermos admitir que ele frequentemente nos domina e pedirmos a Deus para nos perdoar, o Senhor nos ajudará a vencê-lo. O melhor antídoto para o orgulho é colocar a nossa atenção na grandeza e na bondade de Deus.

Fonte: Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

A culpa é nossa

Com medo dos babilônios, um grupo de israelitas que não haviam sido levados cativos decidiram fugir para o Egito. No caminho, pediram a Jeremias para orar por eles e pedir orientação, afirmando que obedeceriam qual fosse a ordem, sendo esta favorável ou não (2 Rs 25:26 / Jr 42:1-6).

O que aconteceu depois? Desobediência. Seguiram até o Egito, mesmo tendo sido alertados por Deus que não deveriam fazer isso. (Jr 43:4)

Judá estava em ruínas por causa do mal praticado pelo povo. Israel trouxe sobre si a desgraça, se autodestruiu (Jr 44:2-3, 8). Ainda assim, arrependimento e reverência permaneciam distantes… O povo preferia acreditar que a aparente felicidade era oferecida pelos falsos deuses que cultuavam ostensivamente nas ruas de Jerusalém. (Jr 44:15-19)

Deus é bom, mas também é justo. Nossas faltas não ficarão impunes. Mas nosso castigo não é culpa do Senhor: a culpa é nossa. Somos nós quem escolhemos por onde ir, o que fazer, como agir. E seremos também nós os responsáveis pelas consequências de tudo o que fazemos, se bom ou mau.

Somos culpados, já que todos somos pecadores. E o pecado nos separa de Deus (Rm 3:23). Mas Deus nos ama tanto que permitiu que seu próprio filho viesse ao mundo para nos redimir. Jesus, o único homem que não cometeu pecado algum padeceu por nós, levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça (1 Pe 2:21-24).

Em Cristo nossos pecados estão perdoados, lavados pelo Seu sangue. Ainda assim, nossos atos produzem efeitos dos quais não podemos fugir. Mesmo perdoados, continuamos culpados pelas consequências, porventura desastrosas, de nossos pecados. E Deus continua o mesmo, bom e justo!

E esta é a mensagem que dEle ouvimos, e vos anunciamos:
que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.

Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça
(1 Jo 1:5-9)

No fundo do poço

Ebede-Meleque é o personagem de hoje. Um etíope, servo do palácio real em Jerusalém, é o herói do Capítulo 38 de Jeremias.

Os príncipes de Israel colocaram o rei Zedequias em uma situação difícil. Eles desejavam morte a Jeremias e foram juntos convencer o rei de que o profeta desejava o mau a Israel. Zedequias provavelmente não concordava com a afirmação, ou pelo menos não estava certo a respeito. Entretanto, embora fosse o rei, opor-se aos príncipes poderia custar-lhe o reinado, ou até mesmo a vida. Acabou, então, por permitir que os príncipes fizessem o que desejassem com Jeremias.

Os príncipes foram cruéis. Jogaram Jeremias em um poço de lama, para definhar até a morte. Possivelmente, procuraram não fazer muito alarde sobre o que acabavam de fazer, e é aqui que o herói entra na história.

Ebede-Meleque soube o que acabava de acontecer, talvez por ter ouvido os gemidos de Jeremias vindos do fundo do poço. E este etíope, um estranho para a comunidade de Israel, demonstrou mais humanidade do que os israelitas nativos. Ebede-Meleque vivia em uma corte iníqua e em meio a uma geração muito corrupta; ainda assim tinha um grande senso de equidade e piedade. Não pensou duas vezes antes de interceder por Jeremias. Foi até o rei, que estava sentado na porta de Benjamim, para julgar causas e receber apelos e petições, ou talvez dirigindo um conselho de guerra. Ebede-Meleque foi imediatamente até o rei, já que o caso não admitia atraso: o profeta poderia ter morrido se ele tivesse menosprezado ou adiado o assunto até que tivesse a oportunidade de falar com o rei em particular.

Com ousadia, Ebede-Meleque afirma diante do rei e de todos os presentes que Jeremias havia sofrido uma grande injustiça, mesmo sabendo que os príncipes eram os responsáveis, mesmo estando estes possivelmente presentes naquele momento e, ainda, mesmo sabendo que eles tinham tido o consentimento do rei.

Ebede-Meleque foi muito corajoso. Embora tivesse um posto na corte, ele estaria em perigo se sua argumentação fosse tomada como ofensa. Mas, sem pesar suas palavras e ações, preocupado apenas em fazer o bem e o que era certo, prosseguiu em seu discurso para o rei alegando que Jeremias havia sido tratado com injustiça e barbaridade.

Jeremias foi humilhado, maltratado e injustiçado pelo seu próprio povo. E no momento de grande angústia e tribulação foi um estrangeiro o enviado para interceder por ele e salvá-lo com todo cuidado e compaixão (Ez 38:12).

Texto adaptado de Bible Study Tools (comentários de Matthew Henry – Jeremias 38)

Quando nos encontrarmos na situação de Jeremias, oprimidos e injustiçados, devemos nos lembrar que Deus pode nos enviar um amigo,  ainda que dentre os mais improváveis, para nos renovar o ânimo e nos ajudar a sair do poço.

Por outro lado, podemos ser o amigo a oferecer a mão a alguém, com amor e compaixão. Como o etíope, estejamos prontos a ajudar o próximo, não importa quem seja.

* * * * * * *

Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. (Mc 9:35)

Pedir e receber

Há poucos dias vi uma frase compartilhada no Facebook bastante interessante. Dizia o seguinte:

Você pediu alguma coisa para Deus e recebeu outra?

CONFIE!

Você não sabe o que pede, mas Deus sabe o que te dá.

Esse é basicamente o tema do capítulo 24 de Jeremias

O exílio parecia algo absurdamente ruim para os israelitas. Eles desejavam ardentemente permanecer em sua própria terra e provavelmente invejavam aqueles que estavam sendo deixados para trás. Entretanto, os planos de Deus afirmavam justamente o inverso: aos exilados e subjugados à Babilônia estavam reservadas boas novas, enquanto os que permaneceram em Israel seriam eliminados da terra.

Você não sabe o que pede, mas Deus sabe o que te dá.

Devemos confiar sempre em Deus. Todas as circunstâncias em nossas vidas, boas ou ruins aos nossos olhos, têm um propósito maior, que não podemos entender, mas Deus sim. Confiantes, viveremos em paz e segurança, ainda que nossa percepção não nos deixe compreender completamente o que virá.

Deus de todos os lugares

Sou eu apenas um Deus de perto - pergunta o Senhor,
e não também um Deus de longe?
Poderá alguém esconder-se sem que eu o veja? - pergunta o Senhor.
Não sou eu aquele que enche os céus e a terra? – pergunta o Senhor.
(Jr 23:23-24)

No curso da história da humanidade temos visto o homem à procura de um Deus. Na ânsia por satisfazer os seus próprios desejos, muitas civilizações instituíram crenças politeístas, onde cada divindade tratava especificamente de um determinado assunto – havia deuses que controlavam fenômenos naturais, como o mar e os ventos, e ainda aqueles dedicados a sentimentos, como o amor e o ódio. Nesse sistema, de acordo com a carência do momento, o pedido é destinado a um ou outro deus. Infelizmente, o politeísmo não faz parte apenas da antiguidade, mas ainda está presente em muitas religiões modernas e naquelas que sobreviveram ao tempo.

Mas, meu inconformismo fica por conta da necessidade de tantos deuses, afinal, para que ter um deus para perto e um para longe (não, não estamos falando de óculos!), se há um único Deus que está em todos os lugares?

Mais uma vez a resposta está dentro de nós. Nossa teimosia e rebeldia nos faz tentar ser Deus e, por mais estranho que isso possa parecer, estamos tentando ser Deus quando instituímos falsos deuses e os adoramos. Sim, porque somos nós tentando estabelecer o que nós julgamos ser o melhor deus para nós – ainda que seja necessário mais de um.

Não podemos esconder nada de Deus. Ele preenche os céus e a terra. Ele é Deus de tudo e para todos. E os que crêem nEle, e somente nEle, beberão da água da vida.

“Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”
(Jo 4:14)

Confiança que salva

Acerca de Edom, assim diz o Senhor dos Exércitos: “Será que já não há mais sabedoria em Temã? Será que o conselho desapareceu dos prudentes? A sabedoria deles deteriorou-se?”
(Jr 49:7)

Temã era provavelmente uma cidade conhecida pela sabedoria de seus habitantes. Mas nem todos os sábios deste mundo reunidos podem superar o conhecimento de Deus e evitar que se cumpra a Sua vontade. A sabedoria de Temã não a pôde salvar da ira de Deus.

Para que confiar no nosso falho discernimento quando Deus nos permite desfrutar de Sua infinita sabedoria? Só o Senhor pode nos libertar. Só Ele pode nos salvar.
Creia e confie em Deus!

De barro a vaso

Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:
“Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem”.
Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda.
Mas o vaso de barro que ele estava formando se estragou-se em suas mãos;
e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade.

Então o Senhor dirigiu-me a palavra:
“Ó comunidade de Israel, será que não posso eu agir com vocês como fez o oleiro?”, pergunta o Senhor. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel. 
(Jr 18:1-6)

Quando um vaso de barro era moldado na roda do oleiro, frequentemente surgiam defeitos. O oleiro tinha poder de decidir se o barro continuaria com suas imperfeições ou seria remodelado. Semelhantemente, Deus tem o poder para moldar seu povo, para fazer com que esteja em conformidade com os seus propósitos. Nossa estratégia não deve ser a de ficar descuidados e passivos, como o inanimado barro, devemos mostrar disposição e receptividade ao impacto de Deus em nossa vida. Quando nos rendemos ao Senhor, Ele começa a moldar-nos e a transformar-nos em vasos valiosos.

Fonte: Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

Aquele a quem eu louvo

Embora os nossos pecados nos acusem, age por amor do teu nome, ó Senhor!
Nossas infidelidades são muitas; temos pecado contra ti.

Senhor, reconhecemos a nossa impiedade e a iniqüidade dos nossos pais;
temos de fato pecado contra ti.

Por amor do teu nome não nos desprezes; não desonres o teu trono glorioso.
Lembra-te da tua aliança conosco e não a quebres. 

(Jr 14:7, 20-21)

Cura-me, Senhor, e serei curado;
salva-me, e serei salvo, pois tu és aquele a quem eu louvo. 
(Jr 17:14)

Fiel ao chamado

O que o profeta Jeremias anunciou a todo o povo de Judá e aos habitantes de Jerusalém foi isto:
Durante vinte e três anos a palavra do Senhor tem vindo a mim, desde o décimo terceiro ano de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje. E eu a tenho anunciado a vocês, dia após dia, mas vocês não me deram ouvidos.
(Jr 25:2-3)

Imagine pregar a mesma mensagem durante 23 anos e ser continuamente rejeitado!

Jeremias enfrentou uma situação como esta, mas, por estar comprometido com Deus, continuou a proclamar: “Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras”. Independente da resposta do povo, Jeremias não desistiu. 

Deus nunca deixa de amar-nos, mesmo quando o rejeitamos. Podemos agradecer a Ele por não desistir de nós e, como Jeremias, comprometer-nos a nunca abandoná-lo. A despeito da reação que as pessoas tenham quando você lhes falar a respeito de Deus, permaneça fiel ao elevado chamado que recebeu dEle e continue a testemunhar.

Fonte: Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

Prontos para o trabalho

No início do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra da parte do Senhor a Jeremias:
“Assim diz o Senhor:
Coloque-se no pátio do templo do Senhor e fale a todo o povo das cidades de Judá que vem adorar no templo do Senhor. Diga-lhes tudo o que eu lhe ordenar; não omita uma só palavra.”
(Jr 26:1-2)

Ah, que tarefa difícil foi confiada a Jeremias! Anunciar no meio da cidade, na frente de todos, para quem quisesse ouvir, que maldição cairia sobre aquela terra se não houvesse arrependimento (Jr 26:4-6).

Mas Jeremias não temeu ou hesitou. Seguiu firme e cumpriu seu chamado, mesmo enfrentando a morte (Jr 26:14).

Certamente não foi fácil. Mesmo bons homens têm dificuldades para enfrentar grandes desafios, ainda que seja em nome de Deus…

Lembram-se, por exemplo, do que fez Jonas ao ser chamado a pregar contra Nínive? Ele fugiu. Mas fugir não foi a melhor solução…
(Clique aqui e leia mais sobre a fuga de Jonas)

Ao sermos convocados por Deus para proclamar Sua glória e anunciar Sua salvação, estejamos como Jeremias, prontos para o trabalho.