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O livro da lei

Em 2011 li a bíblia toda pela primeira vez e me deparei com uma série de histórias desconhecidas para mim até então. Hoje já reli mais da metade da bíblia, mas agora a sensação é diferente… Começo a descobrir os meus textos favoritos e a encontrar coisas novas em trechos já lidos e muito conhecidos.

Um dos textos que eu mais gosto (se é que é possível classificar desta forma), é o relato do reinado de Josias, na ocasião em que ele inicia a restauração do templo, encontra o livro da lei e firma um compromisso com Deus (2 Rs 22 e 2 Cr 34).

Josias foi um bom rei. Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda (2 Rs 22:2, 2 Cr 34:2). Josias desejou restaurar o templo e designou os levitas para liderarem o trabalho, mas ele não podia imaginar que esta atitude lhe revelaria muito mais do que as velhas paredes daquele velho templo… Esquecido em meio aos escombros adormecia o livro da lei. O sumo sacerdote Hilquias, quando o encontrou, parece ter ficado sem ação… Quando imagino esta cena, visualizo Hilquias quase em estado de choque. Depois de uns minutos ele então compartilha a descoberta com o secretário Safã e então ficam os dois em choque. Que grande descoberta! O que fazer com este livro? O que significam estas palavras?

A ação óbvia foi levar o livro ao rei Josias, que saberia o que fazer. E ele de fato soube!

Josias era um homem de Deus, mas não conhecia o livro da lei. Provavelmente a maioria daquela geração sequer havia ouvido falar da lei de Moisés, consequência natural de uma nação governada tantos anos pela maldade, pela iniquidade e pela idolatria.

Ao ouvir as palavras daquele estranho livro, Josias se desesperou, pois percebeu o quão distante ele e todo o seu povo estavam de Deus. Mas, decidido a fazer o que é certo, tomou uma decisão que eu considero das mais bonitas em toda a bíblia: reuniu todo o povo, dos mais simples aos mais importantes, e compartilhou com todos as palavras daquele livro, lendo-o em voz alta ele próprio, o rei. Ao final todos se comprometeram a cumprir a aliança de Deus.

Nossa, que emoção deve ter tomado conta dos corações presentes naquele momento! Um verdadeiro culto com sinceridade, fé e alegria. Todos juntos adorando o único Senhor.

Com essa história aprendemos algumas coisas:

1- É bom compartilhar a Palavra de Deus com os que amamos. Devemos ficar felizes ao ver outras pessoas desfrutando a graça de Deus.

2- Devemos amar a todos. Só assim seremos capazes de nos afastar do egoísmo e levar a Palavra de Deus a todo o mundo.

3- Deus é o objetivo de nosso culto. Não importa se individual ou coletivo; se Deus não estiver presente, não haverá corações quebrantados.

4- Cultos coletivos fortalecem os indivíduos. Juntos somos mais fortes, suportamos uns aos outros, incentivamos uns aos outros.

Cortando o mal pela raiz

Que não haja no meio de vocês nenhuma raiz que produza esse veneno amargo. (Dt 29:18b)

Moisés alertou que no dia em que os israelitas se afastassem de Deus, uma raiz brotaria e produziria amargura e frutos venenosos. Quando decidimos fazer o sabemos ser errado, plantamos uma semente que cresce descontroladamente, gerando mágoas e dores. Mas podemos impedir que tais sementes de pecados formem raízes, confessando a Deus nossos pecados e nos arrependendo de coração. Quando a semente não encontra solo fértil, seu fruto amargo nunca amadurecerá.

Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos.” (Hb 12:15b)

Riqueza que vem de Deus

Dinheiro é o que move o mundo. Isso é o que ouvimos e vemos constantemente nos dias dias de hoje. Mas o apego à riqueza não é um habito novo. Desde o início dos tempos a disputa de ‘quem tem mais’ existe. E não é pecado algum ‘ter’, ‘possuir’…  Mas o conselho dado por Moisés aos israelitas, pode e deve ser aplicado também em nossas vidas.

Não digam em seu coração: “A minha capacidade e a força das minhas mãos ajuntaram para mim toda esta riqueza”. Mas, lembrem-se do Senhor, do seu Deus, pois é Ele que lhes dá a capacidade de produzir riqueza. (Dt 8:17-18)

 

É melhor ter pouco com o temor do Senhor do que grande riqueza com inquietação. (Pv 15:16)

Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do Senhor. (Dt 8:3b)

Ouvir e obedecer

Moisés recordou para a nova geração, que estava prestes a entrar na terra prometida, a aliança que Deus havia feito com o povo no monte Horebe, quarenta anos antes.

Naquela ocasião, o Senhor falou a toda a assembléia de Israel, em alta voz, no monte, do meio do fogo, da nuvem e da densa escuridão, mas quando eles ouviram a voz que vinha do meio da escuridão, estando o monte em chamas, temeram. (Dt 5:22-23)

Pediram então para que Moisés permanecesse e ouvisse as instruções de Deus, pois temeram a morte, afinal que homem mortal chegou a ouvir a voz do Deus vivo falando de dentro do fogo e sobreviveu? (Dt 5:24-26)

Aqueles homens fizeram um pedido a Moisés:

Aproxime-se você, Moisés, e ouça tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser; você nos relatará tudo o que o Senhor, o nosso Deus, lhe disser. (Dt 5:27a)

Mas também declararam um compromisso:

Nós ouviremos e obedeceremos. (Dt 5:27b)

Essas palavras agradaram a Deus. Vejam o que disse Moisés:

O Senhor ouviu quando vocês me falaram e me disse: “Ouvi o que este povo lhe disse, e eles têm razão em tudo o que disseram”. (Dt 5:28)

Mas Deus fez uma ressalva:

“Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-me e para obedecer a todos os meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre!” (Dt 5:29)

Ah, quem dera nós tivéssemos sempre no coração disposição para temer e obedecer a Deus.

Os israelitas disseram “ouviremos e obedeceremos“. Ouvir é fácil, mas obedecer não. Saber qual o caminho certo é fácil; trilhar esse caminho sem desvios, não é. Falar é fácil; transformar as palavras em ação, não.

Ouvir e obedecer. Esse deve ser o desejo do nosso coração. Sempre.

Temor e furor

Moisés anunciou aos israelitas a sentença de Deus por terem desistido de entrar na Terra Prometida: vagariam pelo deserto por mais quarenta anos.

Ao ouvir isso, choraram amargamente e decidiram voltar atrás. Juntaram um grupo e subiram à peleja contra os cananeus e amalequitas, mesmo tendo sido advertidos por Moisés de que Deus não estaria com eles, já que não aprovava a decisão. Foram derrotados.

A tentativa daqueles homens em reparar o erro cometido não foi um arrependimento sincero; Eles não se submeteram à vontade de Deus. A falta de fé demonstrada quando não quiseram entrar na Terra Prometida foi a mesma demonstrada neste episódio, quando tentaram tomar Canaã com as próprias mãos, em vez de pelas mãos de Deus. Os israelitas não temeram ao SENHOR e enfrentaram o seu furor.

SENHOR, quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido. (Sl 90:11)

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos!
(Sl 128:1)

Batizados com o Espírito Santo

“Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor pusesse o seu Espírito sobre eles!” (Nm 11:24-29)

Moisés foi um grande profeta. Talvez ele próprio não tenha percebido a grandeza destas palavras que ele proferiu mais como desabafo do que como ensinamento.

João Batista foi outro grande profeta, que dizia humildemente aos que o procuravam: “Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo”. (Mt 3:11)

E foi justamente o que fez Jesus. Nos presenteou com sua presença, possibilitando que o Espírito Santo habitasse em nós.

Disse Jesus: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva“.
Ele estava se referindo ao Espírito, que mais tarde receberiam os que nele cressem. Até então o Espírito ainda não tinha sido dado, pois Jesus ainda não fora glorificado. (Jo 7:37-39)

Disse Jesus: “O Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.” (Jo 14:26)

Com a morte de Cristo se cumpriu a profecia de Moisés. Agora todo o povo pode desfrutar do Espírito de Deus. Todo aquele que crê em Jesus é batizado não com água, mas com o Espírito Santo de Deus.

Deus promete e cumpre

Ordenou o Senhor a Moisés: Saia deste lugar, com o povo que você tirou do Egito, e vá para a terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: ‘Eu a darei a seus descendentes’. (Êx 33:1)

Deus cumpre o que promete. Não necessariamente no nosso tempo, mas Suas promessas serão cumpridas.

Abraão não pôde ver com seus próprios olhos os seus descendentes se preparando para entrar na terra prometida. Mas, teve fé e acreditou nos planos de Deus para ele. Quando Deus fez a sua promessa a Abraão, por não haver ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: “Esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes numerosos”. Abraão, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações, como foi dito a seu respeito: “Assim será a sua descendência”. (Hb 6:13-14, Rm 4:18)

A Palavra de Deus está repleta de promessas e estas serão cumpridas. Mas como em uma guerra, para que um vença, é preciso que alguém pereça. Escolha lutar ao lado de Deus, aceitando Jesus Cristo como o seu Salvador, seja vitorioso com Cristo e veja as promessas de Deus se cumprirem em sua vida.

Experiência individual

O povo de Israel pecou. Atribuiu a um bezerro de ouro a libertação do Egito. A espera de 40 dias pela volta de Moisés do monte foi demais para eles (Êx 32:1-5).

Ao retornar de seu encontro com Deus, Moisés irou-se, deixando cair as tábuas da lei, que o próprio Deus havia lhe dado (Êx 32:19).

Mas Moisés amava aquele povo teimoso e pecador. Depois de destruir o ídolo e de alertar a todos acerca do grande erro que haviam cometido, Moisés dirigiu-se a Deus para pedir o perdão para todos, colocando-se como fiador ao oferecer a própria vida por eles.

Assim, Moisés voltou ao Senhor e disse: “Ah, que grande pecado cometeu este povo! Fizeram para si um deus de ouro. Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste”. (Êx 32:31-32)

Mas a resposta de Deus não foi afirmativa ou negativa. O SENHOR apenas enfatizou que riscaria do livro todo aquele que pecasse contra Ele.

Talvez Moisés tenha se entristecido, pois entendeu ali que não poderia defender a todos. Cada um seria responsabilizado pelos seus próprios atos.

Como somos abençoados por estarmos debaixo da nova aliança! Jesus pagou o nosso resgate, lavou com sangue os nossos pecados. Mas a salvação ainda é um ato do indivíduo. Uma mãe não pode aceitar a Jesus pelo filho, ou a esposa pelo cônjuge. Cada um de nós precisa ter a sua própria experiência com Cristo e escolher segui-lo.

Oremos por nossos familiares, amigos, colegas de trabalho que ainda não abriram seus corações para aceitarem a verdade e desfrutarem da salvação. E que sejamos sal e luz na vida deles para guia-los a escolher o único caminho, que é Jesus.

Somos capazes

Deus instruiu Moisés a respeito da construção da Tenda do Encontro e de todos os seus móveis e utensílios. E antes que Moisés pudesse reclamar acerca da dificuldade que teria para conseguir confeccionar aqueles objetos, Deus já lhe deu a resposta:

Disse então o Senhor a Moisés:
Eu escolhi a Bezalel, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal.
Além disso, designei Aoliabe, da tribo de Dã, para auxiliá-lo. Também capacitei a todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei. (Êx 31:1-6)

Podemos achar algo muito difícil, mas não podemos esquecer que, se esta for a vontade de Deus, Ele nos capacitará e teremos habilidade suficiente para executar o que seja. Deus é o SENHOR. Ele é o Deus que me reveste de força e torna perfeito o meu caminho (Sl 18:32).

Rasgou o véu

Deus deu orientações detalhadas para a construção do tabernáculo. A tenda acompanharia o povo e não seria apenas uma lembrança da presença de Deus entre eles, mas o próprio Deus se faria presente ali, em contato direto com os sacerdotes, guiando o seu povo. “Ali, sobre a tampa, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a arca da aliança, eu [Deus] me encontrarei com você [Moisés] e lhe darei todos os meus mandamentos destinados aos israelitas” (Êx 25:22).

Mas a majestade da presença de Deus não permitiria que alguém permanecesse vivo depois da experiência de encontrá-lo, por isso, foram dadas ordens específicas sobre a localização da Arca da Aliança. Dentro do tabernáculo haveria um espaço próprio para a Arca, cercado por um véu de linho fino, bordado com querubins (Êx 26:31). O véu separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo (Êx 26:33b). E no Lugar Santíssimo, o Santo do Santos, apenas os sacerdotes poderiam adentrar, em ocasiões específicas e levando consigo incenso cuja fumaça preenchia o local, impedindo que os sacerdotes fossem consumidos pelo poder da presença de Deus.

O véu separava o homem de Deus. Os sacerdotes, embora também fracos e pecadores, eram o elo entre o povo e Deus, intercediam pelo povo junto à Deus.

Mas o véu já não existe mais. Quando Jesus expirou na cruz o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo (Mc 15:37-38).

Os sacerdotes sacrificavam cordeiros para o perdão dos pecados do povo e precisavam fazer isso regularmente.

Deus ofereceu seu filho como Cordeiro para perdão dos nossos pecados. O sacrifício perfeito, o resgate definitivo. Não precisamos de outros cordeiros. Não precisamos de outros sacrifícios. Não precisamos de tenda ou tabernáculo. Não precisamos de outro intercessor… Jesus Cristo é o Cordeiro, o Sacrifício Santo, o Templo, o Intercessor. O véu nos separava de Deus. Jesus nos aproxima de Deus.