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Prazer nas fraquezas

As palavras de Paulo em 2 Coríntios 12:10 são impressionantes e refletem uma maturidade espiritual que poucos alcançam:

Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo.
Porque quando estou fraco então sou forte.

Ele sentia prazer no sofrimento! Será que nós sentimos a mesma coisa? É comum sentir pena de si, ou amargura, ou profunda depressão, mas sentir prazer?

O comentário de Paulo não trata de alguma prática louca de autoflagelação, mas de sua capacidade de confiar plenamente no Senhor. Ele entendeu que o sofrimento oferece oportunidades para nos aproximarmos mais de Deus – e Paulo aproveitou tais oportunidades ao máximo.

Da mesma forma que a pessoa que pratica ginástica ou musculação pode sentir prazer no esforço e sofrimento da malhação, visando aos resultados em termos da saúde física, Paulo sentia prazer nas angústias da vida, tendo em vista os resultados de crescimento espiritual e do galardão eterno.

Tiago falou a mesma coisa:

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança.
E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tg 1:2-4)

Os servos do Senhor sofrem nessa vida. Enfrentamos perseguições, angústias, fraquezas, necessidades, etc. Da mesma maneira que Deus recusou tirar o espinho de Paulo, ele pode deixar qualquer um de nós em circunstâncias difíceis e desagradáveis. Quando nos encontramos nessas situações, vamos ter a fé e a coragem que Paulo mostrou para aproveitar a oportunidade e crescer espiritualmente. Quando nos entregamos a Cristo, encontramos a graça e a força verdadeira.

Tristes mas felizes

Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. (2 Co 7:10)

O sofrimento por nossos pecados pode resultar em mudanças de comportamento. Muitas pessoas sentem tristeza apenas pelos efeitos de seus pecados ou por terem sido surpreendidas pecando (este é o sofrimento sem arrependimento).

Compare o remorso e o arrependimento de Pedro com a amargura e o ato suicida de Judas. Ambos negaram a Cristo. Um se arrependeu e foi restaurado à fé e ao serviço; o outro tirou a própria vida.

Somente em Deus até mesmo a mais profunda tristeza se reverte em alegria. Sofreremos muitas tristezas, mas confiando em Deus, ainda que tristes, estamos felizes pela certeza da vitória!

Adaptado de Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

Recompensa eterna

Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos? 
(Mt 19:27)

Segundo as Escrituras, Deus concede recompensas ao povo de acordo com a sua justiça. No Antigo Testamento, muitas vezes a obediência trouxe recompensas terrenas (veja Dt 28), mas a obediência nem sempre é imediatamente acompanhada pela recompensa. Se assim fosse, os bons sempre seriam ricos e o sofrimento seria sinal de pecado.

Como cristãos, nossa recompensa é a presença e o poder de Cristo por intermédio do Espírito Santo que habita em cada um de nós. Mais tarde, na eternidade, seremos recompensados por nossa fé e nosso serviço a Deus. Se as recompensas materiais nessa vida nos fossem concedidas porcada boa ação que praticássemos, seríamos tentados a vangloriar-nos de nossas conquistas e agir por motivos equivocados.

Fonte: Bíblia de Estudo – Aplicação pessoal (Ed. CPAD)

Para que desejar o perecível quando podemos desfrutar do eterno? Dedique sua vida ao Senhor e tenha a certeza da recompensa eterna.

Cegos, surdos e mudos

Assim diz o Senhor:
Ponham-se nas encruzilhadas e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, perguntem pelo bom caminho. Sigam-no e acharão descanso”.
Mas vocês disseram: ‘Não seguiremos!’

Coloquei sentinelas entre vocês e disse: Prestem atenção ao som da trombeta! Mas vocês disseram: ‘Não daremos atenção’. 
(Jr 6:16-17)

O que devemos fazer é claro. O caminho está bem delimitado e sinalizado. Basta desejarmos seguir na direção correta. Mas quase sempre nossas reações são as mesmas do que aquelas dos contemporâneos de Jeremias, a quem ele dirigia estas palavras – nos fazemos de bobos, nos fingimos de desentendidos e escolhemos deliberadamente seguir pelo caminho exatamente oposto.

Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo! (At 7:51)

Sim, ainda somos este mesmo povo rebelde. Mas temos bons motivos para enfrentarmos essa nossa rebeldia, afinal, lembram-se do que aconteceu com Israel pouco tempo depois da palavra de Jeremias? Foram exilados, humilhados, maltratados… E o caminho de rebeldia, que parecia bom, se transformou em duro sofrimento.

Mas Jesus nos oferece descanso. As dificuldades estarão presentes, mas não irão além do que podemos suportar. É uma doce promessa:

Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
(Mt 11:28-30)

Não semeeis entre espinhos

Porque assim diz o SENHOR:
“Preparai para vós o campo de lavoura, e não semeeis entre espinhos.”
(Jr 4:3)

Essa mensagem pode parecer estranha para nós, mas certamente era bastante clara aos israelitas, que tinham a agricultura como parte de suas vidas. De qualquer forma, não é difícil compreender, basta um pouco de atenção.

Deus faz duas recomendações que nós, assim como o povo daquela época, devemos observar:

1. Preparai para vós o campo de lavoura

Aqui, está explícito o que devemos fazer. Acontece que preparar o campo para a lavoura exige força, tempo e planejamento. A terra tem que estar pronta na época certa para o plantio. Fazendo tudo corretamente, tempos depois serão colhidos bons frutos.

Deus nos oferece muitas bençãos, mas precisamos estar preparados para colhê-las e, enfim, usufruir delas. Para isso precisamos entender que o propósito de nossa vida é glorificar a Deus, com honra e obediência. Colocando essas atitudes em prática, estaremos preparados para a Sua graça.

Sim, será tão difícil quanto arar a terra na lavoura, mas a recompensa é tão doce quanto o sabor de bons frutos.

2. Não semeeis entre espinhos

Enfim, o que não fazer. Ah, simplesmente semear entre os espinhos é, com certeza, a solução mais rápida. Basta atirar as sementes e pronto. Sem muito esforço e bastante rápido. Seria a solução perfeita, não fosse a ausência de resultados: Não haverá frutos, ou talvez, um ou outro sobreviva, mas não terá bom sabor. Isso porque os espinhos sufocarão as sementes, que não conseguirão se desenvolver de forma apropriada.

Deus nos aleta a não sermos insensatos. Os espinhos podem se comparar ao pecado. Se semearmos o pecado em nossas vidas, seremos envolvidos por ele até sufocar. E pode ser que não tenhamos mais forças para nos livrar dos espinhos.

O pecado pode parecer o caminho mais curto e rápido. De fato, é o caminho mais curto e rápido para a dor e o sofrimento.

 

LEMBRE-SE SEMPRE DESTE BOM CONSELHO:
“Preparai para vós o campo de lavoura, e não semeeis entre espinhos.”

Recomeço

Quase quarenta anos se passaram desde que os israelitas se recusaram a entrar na Terra Prometida. A maioria dos rebeldes já havia morrido durante a peregrinação pelo deserto. Chegava a hora de uma nova tentativa, uma nova chance. O plano de Deus para aquele povo iria se cumprir.

Não fosse sua teimosia e falta de fé, os israelitas teriam poupado muito sofrimento a si próprios. Já estariam a quarenta anos vivendo na terra fértil que lhes havia sido reservada. Mas, ao escolher o caminho da desobediência, trouxeram consequências que ultrapassaram gerações. Mas o plano de Deus não seria frustrado, afinal, o que são quarenta anos para Deus? O soberano SENHOR poderia esperar mil anos, mas seu plano seria bem sucedido, a promessa seria cumprida.

Assim como aconteceu com os israelitas, nossas ações geram consequências que afetam nossa vida. Eles podiam ter optado por seguir o caminho mais curto, evitando assim quarenta anos de dura jornada pelo deserto.

Obedecer a Deus é evitar as estradas sinuosas e cheias de pedregulhos e escolher o atalho, desfrutando assim de uma vida de paz e alegria.

Amigo verdadeiro

Jó tinha alguns amigos. Pareciam ser bons amigos, pessoas próximas, de confiança que desejavam compartilhar o momento de dor pelo qual Jó passava e consolar o amigo desolado (Jó 2:11).

Acredito que o sentimento desses amigos era sincero, mas a ignorância fez com que oferecessem à Jó apenas angústia e indignação. E o perdão para eles viria justamente de uma oração de Jó, o servo de Deus, em seu favor (Jó 42:8-9).

Por melhor intencionados que estejam nossos amigos, eles podem falhar em nos ajudar. Podem nos trazer ainda mais dor e sofrimento, em vez de conforto e consolo. Da mesma forma, nós, enquanto amigos, estamos sujeitos a cometer estes mesmos erros.

Apesar disso, precisamos nos esforçar para sermos bons amigos, lembrando que o amigo ama em todos os momentos e é um irmão na adversidade. (Pv 17:17)

E também devemos perdoar as falhas de nossos amigos: Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou (Cl 3:13).

Não será uma tarefa fácil. Mas sempre podemos contar com a ajuda do amigo verdadeiro, Jesus Cristo, a quem podemos declarar todas as nossas aflições e receber em troca amor. Jesus é amigo fiel e sincero. Se for preciso exortar, Ele o fará. Se for necessário nos corrigir, assim será. Mas sempre o amor estará presente no agir de Deus em nossas vidas!

295º dia: Mt 26-28

Depois de terem celebrado a Páscoa, Jesus disse aos discípulos que naquela mesma noite todos eles o abandonariam, tal qual a profecia de Zacarias: “Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas” (Zc 13:7).

Ouvindo isso, Pedro afirmou: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!” (Mt 26:33)
Mas a resposta de Jesus o deixou ainda mais indignado…
Respondeu Jesus:
“Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”.
Mas Pedro declarou:
“Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. (Mt 26:34, 35)

De fato, antes do amanhecer, Pedro chegou a jurar que não conhecia Jesus. Ao cantar do galo percebeu o que havia feito e chorou amargamente. (Mt 26:69-75)

Pedro não mentiu. O desejo de seu coração era verdadeiramente não abandonar Jesus em nenhuma hipótese. Tanto é que com ímpeto feriu com sua espada um daqueles que vinham para prender Jesus (Mt 26:51 / Jo 18:10). Mas, como não sentir medo diante daquela multidão hostil?
Somente o próprio Deus seria capaz de sobrepor o medo e a dor sem se abalar. Cristo sofreu na cruz, sentiu cada açoite na carne como um ser humano. Ele conhece como ninguém nossas fraquezas e temores, mas olha para o que há em nossos corações.

229º dia: Jr 40-42

Jeremias estava no meio da multidão, acorrentado, à caminho da Babilônia. Mas foi reconhecido pelos babilônios e o chefe da guarda o libertou, pois reconheceu o poder de Deus. Agora o Senhor a cumpriu e fez o que tinha prometido. Tudo isso aconteceu porque vocês pecaram contra o Senhor e não lhe obedeceram (Jr 40:3).

Jeremias havia sido rejeitado pelo seu próprio povo e agora era convidado para viver entre os babilônios, que proveriam seu sustento. Foi preso e açoitado na sua própria terra e agora teria a oportunidade de viver em paz no meio de estrangeiros.

Sinceramente, não sei se eu teria tido forças para rejeitar o convite da babilônia. O coração de Jeremias poderia facilmente ter se enchido de rancor contra os judeus. Poderia ter pensado que seria merecedor de um ‘descanso’ depois de tanto sofrimento. Poderia ter dito: “Estão vendo, se tivessem me ouvido não estariam nesta situação.” Em vez disso, liberto das algemas, voltou para perto de Jerusalém, onde os poucos que foram deixados para trás estavam, mesmo sabendo que lá só havia fome e miséria. O que movia Jeremias? Sua confiança em Deus. A certeza de que sua vida tinha um propósito e de que todo sofrimento seria passageiro. E hoje, o que nos move? O que dirige nossas vidas? Por que vamos à escola, trabalhamos, consumimos? Para quê? Deus tem sido o centro de nossas vidas, a prioridade? Ou para Ele só dispomos do tempo que sobra?

214º dia: Sf 1-3

As palavras de Sofonias são duras. O anúncio de um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão (Sf 1:15) veio para alertar o povo a respeito de todo o mal que dominava em seu meio.

O cenário era tão grave que mesmo no verso mais encorajador não se vê a garantia da libertação:

Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do SENHOR. (Sf 2:3)

Ai da cidade rebelde, impura e opressora! O mundo inteiro será consumido pelo fogo da ira zelosa de Deus, mas serão deixados no meio da cidade os mansos e humildes, que se refugiarão no nome do Senhor. Por isso, não tema, não deixe suas mãos enfraquecerem. O Senhor, o seu Deus, está em seu meio e é poderoso para salvar.
(Sf 3:1, 8b, 12, 16b, 17a)